"Cada momento de alegria, cada instante efêmero de beleza, cada minuto de amor, são razões suficientes para uma vida inteira. A beleza de um único momento eterno vale a pena de todos os sofrimentos."
(Rubem Alves)
Caia Na Real
Os temas polêmicos, surreais e filosóficos da sociedade de ontem, hoje e amanhã.
:: quarta-feira, 30 de maio de 2012
Post surreal do dia
"This is a world where everybody's gotta do something. Ya know, somebody laid down this rule that everybody's gotta do something, they gotta be something. You know, a dentist, a glider pilot, a narc, a janitor, a preacher, all that...
Sometimes I just get tired of thinking of all the things that I don’t wanna do. All the things that I don't wanna be. Places I don’t wanna go, like India, like getting my teeth cleaned."
(Charles Bukowski)
Sometimes I just get tired of thinking of all the things that I don’t wanna do. All the things that I don't wanna be. Places I don’t wanna go, like India, like getting my teeth cleaned."
(Charles Bukowski)
Utopia do Pragmatismo-Liberal-Gradual
"(...) Longe de provar que a era das utopias ideológicas está no passado, essa hegemonia incontestável do capitalismo é sustentada pelo próprio núcleo utópico da ideologia capitalista. Utopias de mundos alternativos têm sido exorcizadas pela utopia no poder, mascarando-se como realismo pragmático.
Não são utópicos apenas o sonho conservador de recuperar um passado idealizado ou a visão de um futuro esplêndido como sendo a universalidade de hoje menos o seu obstáculo constitutivo; não menos utópica é a ideia liberal-pragmática de que se pode resolver os problemas gradualmente, um por um ('as pessoas estão morrendo agora em Ruanda, por isso esqueçamos a luta anti-imperialista, vamos apenas impedir um massacre', ou 'é preciso lutar contra a pobreza e o racismo aqui e agora, não esperar pelo colapso da ordem capitalista global'). (...) "
(Slavoj Zizek, trecho de "Primeiro Como Tragédia, Depois Como Farsa")
Não são utópicos apenas o sonho conservador de recuperar um passado idealizado ou a visão de um futuro esplêndido como sendo a universalidade de hoje menos o seu obstáculo constitutivo; não menos utópica é a ideia liberal-pragmática de que se pode resolver os problemas gradualmente, um por um ('as pessoas estão morrendo agora em Ruanda, por isso esqueçamos a luta anti-imperialista, vamos apenas impedir um massacre', ou 'é preciso lutar contra a pobreza e o racismo aqui e agora, não esperar pelo colapso da ordem capitalista global'). (...) "
(Slavoj Zizek, trecho de "Primeiro Como Tragédia, Depois Como Farsa")
Post filosófico do dia (2) - Haikai
"Queria que meu coração parasse.Comentário
Não que parasse de doer.
Que parasse de vez."
Esse haikai sempre me faz pensar nas suas últimas duas linhas. A depender da esperança ou da angústia, elas podem ser ligeiramente invertidas.
Um romântico otimista, pois, recitaria:
"Queria que meu coração parasse.
Não que parasse de vez.
Que parasse de doer."
Post filosófico do dia
"Bola de Meia, Bola de Gude"
(Milton Nascimento)
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
(Milton Nascimento)
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
:: terça-feira, 29 de maio de 2012
Post filosófico do dia (3)
"A eternidade é medida pelo sentimento, não pela duração."
(Carina B., @destempero)
(Carina B., @destempero)
Compreender a crise na Europa
"Para nós, não europeus, compreender corretamente o que aflige a Europa faz uma diferença tremenda, porque histórias falsas sobre a Europa estão sendo usadas para defender políticas que seriam cruéis, destrutivas ou as duas coisas.
Na próxima vez em que você ouvir pessoas evocando o exemplo europeu para exigir que destruamos nossa rede de seguridade social ou cortemos gastos numa economia profundamente deprimida, saiba de uma coisa: elas não sabem do que estão falando."
(Paul Krugman)
Na próxima vez em que você ouvir pessoas evocando o exemplo europeu para exigir que destruamos nossa rede de seguridade social ou cortemos gastos numa economia profundamente deprimida, saiba de uma coisa: elas não sabem do que estão falando."
(Paul Krugman)
Ditaduras, Soberania e Direitos Humanos
"(...) Quando ditaduras têm as mãos livres para agir e as democracias ficam apenas olhando e falando, alguma coisa está profundamente errada na governança global.Comentário
Como errada está também a diplomacia brasileira ao sobrepor o respeito à soberania de cada país ao direito à vida de seus cidadãos. Soberania, em um mundo civilizado, não pode incluir a soberania de praticar massacres contra a própria população. (...)"
(Clóvis Rossi, trecho de "Para que servem a ONU e o Brasil?")
O Rossi destacou bem o problema de origem: não se pode enquadrar uma ditadura dentro da definição de soberania.
Post filosófico do dia (2)
"Só os gênios são originais. E eles são cada dia mais raros."
(Mestre Tostão)
(Mestre Tostão)
Sofrimento, ilusão e enganação
"(...) Ser enganado dá muita raiva. Ser enganado no amor parece pior ainda. É pior porque a 'porta da esperança' fica aberta para todas as ilusões. Ou seja, somos nós que ajudamos os outros a nos ludibriar.
O amor não salva não cura nem muda as pessoas. Para que isso ocorra é preciso um forte investimento de quem deseja se modificar. (...)"
(Luciana Saddi, trecho de "Ressentimento e rancor")
O amor não salva não cura nem muda as pessoas. Para que isso ocorra é preciso um forte investimento de quem deseja se modificar. (...)"
(Luciana Saddi, trecho de "Ressentimento e rancor")
Post filosófico do dia
"A morada solitária de uma cela, um vestido de burel e um cilício são consolações a que aspira a minha alma. Adeus. A todas estas misérias não vejo outro fim senão a sepultura."
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
Ação política: superando a estatística fatalista
"Na política, a utilização da lei estatística como lei essencial, operando de modo fatalista, não é apenas um erro científico, mas torna-se também um erro prático, em ato; por outro lado, ela favorece a preguiça mental e a superficialidade programática.
Deve-se observar que a ação política tende, precisamente, a fazer com que as multidões saiam da passividade, isto é, a destruir a lei dos grandes números."
(Antonio Gramsci)
Deve-se observar que a ação política tende, precisamente, a fazer com que as multidões saiam da passividade, isto é, a destruir a lei dos grandes números."
(Antonio Gramsci)
:: segunda-feira, 28 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"Em respeito à sustentabilidade da minha sanidade, tem coisas que eu faço questão de não entender."
(Talita Prates, @taprates)
(Talita Prates, @taprates)
Post filosófico do dia
"O melhor lugar para ler é o vaso sanitário, tenho uma estante de livros na minha frente. Leio muito no banheiro. Não tem prazer maior do que ler. Quer dizer, tem... [risos]. Mas um dos maiores prazeres do mundo é ler."
(Ziraldo)
(Ziraldo)
:: domingo, 27 de maio de 2012
Post filosófico do dia (3)
"Quem não relembra a História está condenado a vivê-la de novo."
(George Santayana)
(George Santayana)
Situação da Educação Pública no Brasil: Principais Problemas
Segundo pesquisa feita pelo DataSenado em meados de 2011, os maiores problema da educação pública para crianças no nosso país estariam representados na tabela ao lado.Não vou aqui fazer uma análise abrangente, mas apenas destacar que, olhando rapidamente para os itens citados, podemos agrupá-los e compreender melhor onde está o principal problema na educação pública brasileira.
Notem que "Professores sem qualificação" (25%), "Greves frequentes" (8%) e "Baixos Salários" (31%) estão correlacionados, sendo que esse último - salários baixos - é o ponto central, que leva a contratarmos professores sem qualificação e a serem realizadas greves frequentes.
Podemos ainda argumentar que bons professores (bem pagos, bem qualificados) auxiliam na escolha e avaliação do material didático, então o item "Material didático ruim" (3%) também estaria relacionado à qualificação do professor.
Desse modo, somando-se esses itens correlacionados, temos que 67% das pessoas apontam que o problema está na condição de trabalho dos professores. E é mais do que óbvio que a causa principal são os baixos salários, e também a ausência de oportunidades de capacitação e crescimento/desenvolvimento profissional, como planos de carreira, cursos de aperfeiçoamento etc. Dessa situação precária decorrem praticamente todos os outros problemas correlacionados.
Outro agrupamento interessante: correlacionar os itens "Estrutura física ruim" (10%), "Dificuldade de chegar à escola" (6%), "Falta de vagas" (5%) e "Falta de merenda" (3%), que seriam problemas de planejamento, investimento e gerenciamento. Representariam, agrupados, 24% das opiniões sobre o principal problema a solucionar.
Esse diagnóstico, podemos perceber, não é muito diferente de tantos outros que foram feitos. O problema é que a situação não muda na velocidade esperada. Ou seja: não falta diagnóstico. Falta ação, falta inovação dos políticos para tratar o problema com a urgência necessária.
A solução ideal - e lógica - seria melhorar imediatamente os salários dos professores, propiciando novas contratações e ofertando cursos de qualificação intensiva para os professores já contratados. Mas isso, mesmo em governos de esquerda (os mais alinhados com esse diagnóstico óbvio e praticamente unânime), está sendo feito a conta-gotas. As justificativas de "custos impossíveis" são risíveis: se isso não é prioridade do Estado - remunerar bem e atrair os melhores professores -, o que vai ser?
A triste conclusão é essa: continuaremos fazendo pesquisas e mais pesquisas para apontar o que já sabemos. E na prática, na ação dos governantes, se continuarmos no ritmo "tartaruga" de resolver problemas sociais, o resultado de melhoria da qualidade do ensino vai demorar muito para acontecer.
Muito mesmo.
Estamos mesmo dispostos a esperar? Ou vamos optar por buscar um caminho mais rápido?
Pergunto a todos: se fosse seu filho (ou seu neto) a estudar numa escola pública ruim, com professores desanimados, mal-remunerados e sem qualificação, com risco de balas perdidas, falta de material, longe de sua casa, com merenda precária, será que você aceitaria o discurso hipócrita de ser "necessário" esperar 20 anos (ou sei lá quantos mais) até que o problema se resolva "gradualmente"?
Isso tudo, claro, sabendo que o futuro do seu filho/neto não poderá NUNCA ser o que ele desejava, pois não teve oportunidades para isso?
Pergunte-se, enfim: quem foi que escolheu, quem foi que determinou que apenas alguns - a classe média e os mais ricos - podem ter HOJE educação básica de qualidade (privada), enquanto outros - os mais pobres e miseráveis - devem pacientemente "esperar a sua vez" para ter esse mesmo direito básico, sacrificando seu próprio futuro?
Alguém aqui acha isso justo?
Pensem nisso.
Post filosófico do dia (2)
"Um tanto disperso
Às vezes desapareço
Pois depois recomeço
Mas antes me esqueço
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa é...
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa..."
(Trecho de "Sina Nossa", O Teatro Mágico)
Às vezes desapareço
Pois depois recomeço
Mas antes me esqueço
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa é...
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa..."
(Trecho de "Sina Nossa", O Teatro Mágico)
Post filosófico do dia - "Incertezas e Perdas"
"An empty hand I wave goodbye,
I feel a tickle in my eye."
(Eliza Doolittle)
I feel a tickle in my eye."
(Eliza Doolittle)
"Confiança, Amizade e Perdão"
Uma das coisas mais dolorosas da vida é quando você descobre que sem querer magoou muito uma pessoa e percebe que ela não está disposta a te perdoar.
Penso que eu faria de tudo para poder voltar no tempo e refazer aquele fatídico dia quando aconteceu o ato que gerou a mágoa definitiva. Queria poder evitar os erros cometidos, as escolhas estúpidas que somente depois percebi que foram feitas.
Mas o passado está lá, imutável, cruel; no presente, estão as consequências, a dor; no futuro, a tristeza da eterna perda, a incerteza sobre uma felicidade possível.
E então já não importa mais analisar e explicar o que ocorreu, tentar encontrar a verdadeira intenção que deu origem a tudo isso. É tarde demais: os atos, sejam quais forem as intenções por trás deles, já geraram a dor na outra pessoa, e isso não pode mais ser alterado.
Então sofro. Sofro por perder a amizade, mas sofro muito mais, infinitamente mais, por saber que um ato meu magoou uma pessoa inocente e que tanto me fez bem. E, por alguma razão, minha estupidez colocou tudo isso a perder em um momento de insensatez, de desejo, de esperança em algo que simplesmente não estava ali.
A responsabilidade da perda e da dor causada é só minha, toda minha. Terei que conviver com isso. Preciso aprender com esse sentimento doloroso para, no futuro, não cometer os mesmos erros, não apenas por mim, mas principalmente em respeito às poucas pessoas de que gosto e que, num ato bondoso, aceitaram minha tão difícil e contraditória amizade de outro planeta.
Talvez minha amizade realmente seja pouco, seja nada. Talvez eu não mereça mesmo o perdão. Sinto às vezes que foi tudo uma ilusão minha: eu não mereço essa confiança. E os outros serão sempre muito mais felizes com a minha ausência.
:: sábado, 26 de maio de 2012
Post filosófico do dia
"Já conheço o único destino que importa. E não tenho pressa em alcançá-lo."
(Eliane Brum)
(Eliane Brum)
:: quarta-feira, 23 de maio de 2012
Post filosófico do dia
"De uma vez por todas;
Não busco desculpas.
Não quero outras,
Não preciso de piedade.
Sim, eu sei que não se morre por isso,
Mas me deixem tentar. Ao menos entender.
Preciso saber o que aconteceu. Como aconteceu!"
(Cláudio Marques, trecho de "(pre)fixo em mim")
Não busco desculpas.
Não quero outras,
Não preciso de piedade.
Sim, eu sei que não se morre por isso,
Mas me deixem tentar. Ao menos entender.
Preciso saber o que aconteceu. Como aconteceu!"
(Cláudio Marques, trecho de "(pre)fixo em mim")
Post surreal do dia - "A guitarra imaginária"
"(...) Até os 29 anos você ainda tem esperanças de se tornar outra pessoa. Depois dos 30, você simplesmente aceita ser quem é, relaxa e goza. E não me olhe assim, meu amor: eu podia estar roubando, matando, podia estar de pochete, de moletom, palitando os dentes no casamento da Renatinha; tô só aproveitando a vida, enquanto é tempo, 'while my [air] guitar gently weeps'."
(Antonio Prata, trecho de "Libera a guitarrinha!")
(Antonio Prata, trecho de "Libera a guitarrinha!")
A diferença entre direita e esquerda na política: um exemplo
- Editorial da Folha (23/5): "Deficit de ousadia"
Comentário
É pra rir esse editorial da Folha de S.Paulo. Ao lado, o quadro-resumo do que ela pede para o governo federal fazer.
O alerta: antes de tudo, não caiam no "senso comum" de achar que todo corte de gastos do governo é bom. Isso é uma falácia, que só beneficia os mais ricos. É preciso ler nas entrelinhas.
O editorial é um bom exemplo para mostrar o que a direita política considera "falta de ousadia", e serve também pra não confundir com a oposição de esquerda, cuja crítica de falta de ousadia é diametralmente OPOSTA a 99% dessa apresentada pela Folha.
O 1% semelhante entre ambos é praticamente só a crítica aos juros altos - que, no caso da Folha, é uma crítica obviamente e meramente oportunista, não de convicção. Uma hipocrisia sem limite de um jornal que reclamava sobre o "risco de inflação" e a "irresponsável intervenção política" no Banco Central toda vez que os juros eram reduzidos.
Mas o melhor exemplo do discurso da direita está nessa frase: "Está na hora de conceber uma estratégia de maior fôlego e austeridade, por impopular que seja ou venha a parecer". E isso quer dizer o seguinte, em português bem claro: aproveitar a onda para retirar direitos dos mais pobres e dizer que eles "não entenderam", que o "sacrifício" é "para o bem deles".
Irlanda, Grécia, Espanha, França, Inglaterra, Itália sabem bem do que estou falando.
Outro fato interessante: o 4º item das "coisas que faltam", que pede saúde e educação, só é citado lá no final do editorial, timidamente, em um parágrafo. Quase como que dizendo "bom, e se der pra tratar disso depois de cortar impostos dos ricos, limitar gastos correntes, limitar remunerações, engessar todo o Estado soberano... aí faça-se um 'choque' na saúde e na educação, se der, vai...".
Vejam bem o discurso. Nele, não se fala em aumentar imposto dos ricos, taxar grandes fortunas, montar um sistema tributário progressivo, rever subsídios a setores privilegiados, garantir mais recursos para habitação, saneamento básico, reforma agrária, programas sociais, defesa de minorias... isso não se fala nada no editorial, claro.
Pois falar das necessidades básicas e imediatas do povo mais pobre, isso seria sacrilégio para a direita.
Essa é a diferença entre direita e esquerda.
Enquanto a direita pede "ousadia" com cortes de gastos abstratos ou injustos (pois prejudicam sempre os mais pobres), e sem mexer nos privilégios dos ricos, a esquerda pede a ousadia real de aprofundar as mudanças iniciadas nos governos Lula/Dilma, esforçar-se mais para mexer nessa absurda desigualdade social, respeitando as necessidades dos mais pobres no curto prazo, fazendo o que precisa ser feito.
Enquanto a direita pensa em "austeridade" (cujo resultado mais provável seria um "austericídio", como ocorre na Europa hoje), a esquerda pensa responsavelmente na solidariedade e na justiça do povo. Não é gastança desenfreada, não. É direcionar os recursos necessários para quem realmente precisa, e cobrar da sociedade uma "conta" justa e humana para financiar isso, respeitando as possibilidades de cada um.
Não se enganem com os discursos. É bem diferente cobrar ousadia se você é de direita ou de esquerda.
Outro dia escrevo mais a respeito.
Comentário
É pra rir esse editorial da Folha de S.Paulo. Ao lado, o quadro-resumo do que ela pede para o governo federal fazer.
O alerta: antes de tudo, não caiam no "senso comum" de achar que todo corte de gastos do governo é bom. Isso é uma falácia, que só beneficia os mais ricos. É preciso ler nas entrelinhas.
O editorial é um bom exemplo para mostrar o que a direita política considera "falta de ousadia", e serve também pra não confundir com a oposição de esquerda, cuja crítica de falta de ousadia é diametralmente OPOSTA a 99% dessa apresentada pela Folha.
O 1% semelhante entre ambos é praticamente só a crítica aos juros altos - que, no caso da Folha, é uma crítica obviamente e meramente oportunista, não de convicção. Uma hipocrisia sem limite de um jornal que reclamava sobre o "risco de inflação" e a "irresponsável intervenção política" no Banco Central toda vez que os juros eram reduzidos.
Mas o melhor exemplo do discurso da direita está nessa frase: "Está na hora de conceber uma estratégia de maior fôlego e austeridade, por impopular que seja ou venha a parecer". E isso quer dizer o seguinte, em português bem claro: aproveitar a onda para retirar direitos dos mais pobres e dizer que eles "não entenderam", que o "sacrifício" é "para o bem deles".
Irlanda, Grécia, Espanha, França, Inglaterra, Itália sabem bem do que estou falando.
Outro fato interessante: o 4º item das "coisas que faltam", que pede saúde e educação, só é citado lá no final do editorial, timidamente, em um parágrafo. Quase como que dizendo "bom, e se der pra tratar disso depois de cortar impostos dos ricos, limitar gastos correntes, limitar remunerações, engessar todo o Estado soberano... aí faça-se um 'choque' na saúde e na educação, se der, vai...".
Vejam bem o discurso. Nele, não se fala em aumentar imposto dos ricos, taxar grandes fortunas, montar um sistema tributário progressivo, rever subsídios a setores privilegiados, garantir mais recursos para habitação, saneamento básico, reforma agrária, programas sociais, defesa de minorias... isso não se fala nada no editorial, claro.
Pois falar das necessidades básicas e imediatas do povo mais pobre, isso seria sacrilégio para a direita.
Essa é a diferença entre direita e esquerda.
Enquanto a direita pede "ousadia" com cortes de gastos abstratos ou injustos (pois prejudicam sempre os mais pobres), e sem mexer nos privilégios dos ricos, a esquerda pede a ousadia real de aprofundar as mudanças iniciadas nos governos Lula/Dilma, esforçar-se mais para mexer nessa absurda desigualdade social, respeitando as necessidades dos mais pobres no curto prazo, fazendo o que precisa ser feito.
Enquanto a direita pensa em "austeridade" (cujo resultado mais provável seria um "austericídio", como ocorre na Europa hoje), a esquerda pensa responsavelmente na solidariedade e na justiça do povo. Não é gastança desenfreada, não. É direcionar os recursos necessários para quem realmente precisa, e cobrar da sociedade uma "conta" justa e humana para financiar isso, respeitando as possibilidades de cada um.
Não se enganem com os discursos. É bem diferente cobrar ousadia se você é de direita ou de esquerda.
Outro dia escrevo mais a respeito.
:: terça-feira, 22 de maio de 2012
Mestre Ziraldo e a sabedoria para enganar a morte
"Agora, perto dos 80 anos, pensei: acho que não vou escrever mais livro. Ou vou. Porque essa é a década da morte.
Descobri que, de todos os brasileiros que fazem 80, só 10% chegam aos 90. Todos os meus amigos mais velhos do que eu já foram, o último foi o Millôr. Então fiz a série dos meninos intergalácticos. Criei um personagem para cada planeta.
Como vou lançar um por ano, só posso morrer daqui a dez anos. Foi o jeito de enganar a morte que inventei."
(Ziraldo)
Descobri que, de todos os brasileiros que fazem 80, só 10% chegam aos 90. Todos os meus amigos mais velhos do que eu já foram, o último foi o Millôr. Então fiz a série dos meninos intergalácticos. Criei um personagem para cada planeta.
Como vou lançar um por ano, só posso morrer daqui a dez anos. Foi o jeito de enganar a morte que inventei."
(Ziraldo)
Post filosófico do dia
"Do azul que ainda busca seu rosto, sou o primeiro a beber.
Vejo e bebo teu rastro:
Deslizas pelos meus dedos, pérola, e cresces!
Cresces como todos os esquecidos.
Deslizas: o granizo negro da melancolia
cai num lenço, todo branco pelo aceno de despedida."
(Paul Celan)
Vejo e bebo teu rastro:
Deslizas pelos meus dedos, pérola, e cresces!
Cresces como todos os esquecidos.
Deslizas: o granizo negro da melancolia
cai num lenço, todo branco pelo aceno de despedida."
(Paul Celan)
Escolhas na vida: liberdade verdadeira ou ilusão?
"(...) Num mundo em que o que conta é aderir a comportamentos, concepções e estilos de diversão e lazer, entre outras coisas que o grupo a que se pertence ou se quer pertencer valoriza, escolher não é uma questão.Comentário
Acontece que a vida que temos é, em grande parte, fruto das escolhas que fizemos e fazemos. Viver é, cada vez mais, escolher. (...)"
(Rosely Sayão, na Folha de S.Paulo de 22/5/2012)
Esse trecho de artigo da Rosely Sayão aponta para um problema que quase todos os jovens - e muitos adultos - enfrentam: as escolhas na vida, e como elas são feitas.
Muitas vezes acreditamos estar exercendo nossa liberdade quando, na verdade, nos tornamos escravos. Escravos de um sistema, de uma cultura, de um preconceito, de uma moda, de uma ilusão, de uma enganação.
Nem sempre conseguimos perceber isso. Os jovens certamente têm mais dificuldade pois muito se aprende com a experiência de vida. Mas os pais - e outros adultos - podem ajudar bastante se souberem formar criticamente seus filhos.
Alerto que formar criticamente não é padronizar nem moldar comportamentos. É conseguir justamente que a própria pessoa perceba se está ou não sendo manipulada, se as escolhas que faz ou deixa de fazer podem ser justificadas, compreendidas pela lógica, pela razão.
Mais que tudo, é preciso que as pessoas tenham consciência clara das consequências de suas escolhas.
No mundo moderno, é interessante notarmos como certas tendências de momento são incorporadas de modo que as pessoas se sintam parte do grupo, da sociedade, do mundo. Deixam de ser indivíduos e se tornam elementos de massa, geralmente trabalhando para consumir e consumindo para trabalhar, sem pensar em um fim, em um objetivo verdadeiro na vida.
Aceitam uma vida "padronizada", criada pela mídia e pela indústria cultural consumista e fútil. Vivem de modismos: ontem era turma do skate, depois foi dos patins de rua, depois turma da corrida "cultural", depois turma do cinema 3D, depois... bom, vão inventar alguma outra coisa, muito bem patrocinada e divulgada sutilmente para parecer que todos ali "escolheram" aquela atividade, quando na verdade a escolha foi feita por outros em nome deles.
Só que isso vale para jovens e também para adultos, não se enganem. As necessidades passam a ser criadas socialmente, falsamente, e não mais pelos indivíduos. E quem se levanta contra o sistema, recusando-se a participar de alguma atividade coletiva (pois percebe que aquilo não é necessidade real em sua vida), é visto como louco, antissocial, tolo.
Esse é o mundo moderno em que vivemos. Poucos percebem o que é liberdade real. Vivemos o que Herbert Marcuse, filósofo alemão, chamava de "liberdade social", regulada por desejos que não são mais nossos, e cujos objetivos, se analisarmos bem, talvez nem existam. O meio se tornou o fim.
Só que isso gera problemas. Alienação. Sentimento de vazio. Angústia. Ausência de sentido na vida.
Será que essa é a sociedade em que queremos viver? Será que somos verdadeiramente livres? Será que entendemos quais são as nossas reais necessidades?
Será que o estresse, as doenças, as dores psicológicas na vida não estão aumentando a cada dia? E será que não acabamos deixando de perceber que a verdadeira causa delas é essa própria sociedade que construímos e estamos defendendo, sem mais sabermos por qual razão fazemos isso?
Será que, sob esse manto de "liberdade social", não estamos na verdade escolhendo ficar algemados?
Será que somos realmente felizes assim, na sociedade do espetáculo e do consumo?
Pensem nisso.
:: segunda-feira, 21 de maio de 2012
A inaceitável violência contra as mulheres
Para aqueles que ainda não se convenceram de que vivemos numa sociedade extremamente machista, e que a situação de risco e violência para as mulheres é real e assustadora, recomendo que leiam mais os jornais diariamente. Só isso já deveria servir como um sinal do gravíssimo problema.
(Vejam a capa ao lado: três notícias em destaque são casos de violência contra mulheres).
Recomendo também um excelente artigo da Bia Cardoso (clique aqui para ler). A Bia cita no seu artigo um trecho de uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo/SESC, que ilustra bem essa situação em que vivemos:
Chega de violência contra as mulheres.
(Vejam a capa ao lado: três notícias em destaque são casos de violência contra mulheres).
Recomendo também um excelente artigo da Bia Cardoso (clique aqui para ler). A Bia cita no seu artigo um trecho de uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo/SESC, que ilustra bem essa situação em que vivemos:
"Uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez 'algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido'. Diante de 20 modalidades de violência citadas, no entanto, duas em cada cinco mulheres (40%) já teriam sofrido alguma, ao menos uma vez na vida, sobretudo algum tipo de controle ou cerceamento (24%), alguma violência psíquica ou verbal (23%), ou alguma ameaça ou violência física propriamente dita (24%). O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados. Os pedidos de ajuda são mais freqüentes (de metade a 2/3 dos casos) após ameaças ou violências físicas, com destaque para as mulheres que recorrem às mães, irmãs e outros parentes. Mas em nenhuma das modalidades investigadas as denúncias a alguma autoridade policial ou judicial ultrapassa 1/3 dos casos."Já passou da hora de nos perguntarmos o que precisa ser feito. É hora de fazer algo. E isso começa pela educação das crianças (especialmente os meninos), pelo questionamento de todo comentário e propaganda machistas, e por enfrentarmos abertamente essa seríssima questão de direitos humanos e injustiça.
Chega de violência contra as mulheres.
Post filosófico do dia (3)
"The act of publicly reporting on something is never neutral, it affects the reported content itself. (...) That is to say, the question to be raised is: what more is there hiding in this statement that made the speaker enunciate it?"
(Slavoj Zizek)
(Slavoj Zizek)
Post filosófico do dia (2)
"Que homem de gênio não é obcecado por um sentido de missão?"
(Fernando Pessoa, via @Mizebeb)
(Fernando Pessoa, via @Mizebeb)
Post filosófico do dia
"Sentir demais, falar de menos e entender menos ainda."
(Talita Prates, @taprates)
(Talita Prates, @taprates)
:: domingo, 20 de maio de 2012
Post filosófico do dia
"Deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida."
(Cecília Meireles)
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida."
(Cecília Meireles)
:: sábado, 19 de maio de 2012
Post filosófico do dia (4) - "O papel da ficção"
"A ficção não é sinônimo de mentira, de falsificação, de fraude. Em vez de falsificar, ela alarga e potencializa o mundo. Em vez de mentir, ela inventa novas maneiras de dizer as coisas do real. Os escritores são, apenas, mais sensíveis a isso. Eles tiram partido disso, e transformam nossa precária e sutil realidade em maravilhosas narrativas. São os escritores, enfim, que têm a coragem extrema de enfrentar a neblina do real."
(José Castello)
(José Castello)
Post filosófico do dia (3)
"Hold me close and tell me how you feel
Tell me love is real
Words of love you whisper soft and true
Darling I love you"
(Trecho de "Words Of Love", The Beatles - composição de Buddy Holly)
Tell me love is real
Words of love you whisper soft and true
Darling I love you"
(Trecho de "Words Of Love", The Beatles - composição de Buddy Holly)
Post filosófico do dia (2)
"Ai! Este vácuo, este horroroso vácuo que eu sinto no meu peito! Eu penso em muitas ocasiões assim: se pudesse uma vez, uma única vez apertá-la contra meu coração!, todo esse vácuo se encheria."
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
Post filosófico do dia
"Eu tenho que aprender a dizer tudo
que eu sinto por você
Eu tenho que aprender
Num desses seriados da tevê"
(Trecho de "Cinema Mudo", Paralamas do Sucesso)
que eu sinto por você
Eu tenho que aprender
Num desses seriados da tevê"
(Trecho de "Cinema Mudo", Paralamas do Sucesso)
:: quinta-feira, 17 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"O ponto mais alto a que podemos atingir não é o saber, mas a simpatia com inteligência."
(Henry Thoreau)
(Henry Thoreau)
Post filosófico do dia
"Se enjoo até das coisas que gosto, imagine das que não gosto."
(Talita Prates, @taprates)
(Talita Prates, @taprates)
Habitação Social vs. Mercado de Imóveis
"(...) Imóveis não são ativos de investimento, mas bens sociais. Não devem servir para que aqueles que nada produzem façam mais dinheiro sem nada fazer. Antes, eles são um bem maior que o Estado deve garantir para a segurança das famílias.
É claro que alguns verão nisso um atentado à propriedade privada. Entretanto mesmo a Constituição brasileira não hipostasia o direito de propriedade, pois a submete à exigência dela preencher uma função social.
Limitar a concentração oligopolista da propriedade no setor imobiliário é a maneira mais eficaz de ampliar o direito dos cidadãos a um bem fundamental.
Com isso, parcelas majoritárias da população não precisariam mais presenciar o triste espetáculo de ver suas economias espoliadas para valorizar as fortunas dos mais ricos."
(Vladimir Safatle, trecho de "Imóvel como bem social")
É claro que alguns verão nisso um atentado à propriedade privada. Entretanto mesmo a Constituição brasileira não hipostasia o direito de propriedade, pois a submete à exigência dela preencher uma função social.
Limitar a concentração oligopolista da propriedade no setor imobiliário é a maneira mais eficaz de ampliar o direito dos cidadãos a um bem fundamental.
Com isso, parcelas majoritárias da população não precisariam mais presenciar o triste espetáculo de ver suas economias espoliadas para valorizar as fortunas dos mais ricos."
(Vladimir Safatle, trecho de "Imóvel como bem social")
:: quarta-feira, 16 de maio de 2012
Post filosófico do dia (3)
"Quando morrer, não quero ir para o céu. Quero ir para um sebo."
(Ruy Castro)
(Ruy Castro)
Post filosófico do dia (2) - "Eterna Cecília"
"Leio e releio os poemas de Cecília Meireles. Por que releio, se já os li? Por que releio, se sei, de cor, as palavras que vou ler? Porque a alma não se cansa da beleza. Beleza é aquilo que faz o corpo tremer. Há cenas que ela descreve que, eu sei, existirão eternamente. Ou, inversamente, porque existiam eternamente, ela as escreveu."
(Rubem Alves)
(Rubem Alves)
Post filosófico do dia
"O intelectual só se realiza na política e a partir da perspectiva da política. Afinal, política não é sinônimo de poder, nem de mundo dos profissionais da política, podendo muito bem ser entendida como um campo onde se disputam as ideias a respeito do viver coletivo. Uma aposta nas possibilidades de construir o social, de planejar o futuro, de tornar virtuosa e justa a convivência entre as pessoas e os grupos.
O intelectual que não se ponha desta perspectiva e se recuse a pensar o todo – que se feche em sua torre de marfim, em sua especialização, em seu corporativismo – mantém-se numa função subalterna."
(Marco Aurélio Nogueira)
O intelectual que não se ponha desta perspectiva e se recuse a pensar o todo – que se feche em sua torre de marfim, em sua especialização, em seu corporativismo – mantém-se numa função subalterna."
(Marco Aurélio Nogueira)
:: terça-feira, 15 de maio de 2012
:: segunda-feira, 14 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"(...) Mesmo que ainda encontremos posições políticas e leituras dos impasses da vida social contemporânea radicalmente antagônicas, há uma clara estratégia de evitar dar a tais antagonismos seu verdadeiro nome. Ela é utilizada para fornecer a impressão de que nenhuma ruptura radical está na pauta do campo político ou, para ser mais claro, de que não há mais nada a esperar da política, a não ser discussões sobre a melhor maneira de administrar o modelo socioeconômico hegemônico nas sociedades ocidentais.
Não se trata mais de pensar a modificação dos padrões de partilha de poder, de distribuição de riquezas e de reconhecimento social. Trata-se de uma questão de gestão de modelos que se reconhecem como defeituosos, mas que ao mesmo tempo se afirmam como os únicos possíveis.
A função atual da esquerda é, por isso, mostrar que tal esvaziamento deliberado do campo político é feito para nos resignarmos ao pior, ou seja, para nos resignarmos a um modelo de vida social que há muito deveria ter sido ultrapassado e que evidencia sinais de profundo esgotamento. Cabe à esquerda insistir na existência de questões eminentemente políticas que devem voltar a frequentar o debate social."
(Vladimir Safatle, na introdução de "A esquerda que não teme dizer seu nome" - o grifo é meu)
Não se trata mais de pensar a modificação dos padrões de partilha de poder, de distribuição de riquezas e de reconhecimento social. Trata-se de uma questão de gestão de modelos que se reconhecem como defeituosos, mas que ao mesmo tempo se afirmam como os únicos possíveis.
A função atual da esquerda é, por isso, mostrar que tal esvaziamento deliberado do campo político é feito para nos resignarmos ao pior, ou seja, para nos resignarmos a um modelo de vida social que há muito deveria ter sido ultrapassado e que evidencia sinais de profundo esgotamento. Cabe à esquerda insistir na existência de questões eminentemente políticas que devem voltar a frequentar o debate social."
(Vladimir Safatle, na introdução de "A esquerda que não teme dizer seu nome" - o grifo é meu)
Post filosófico do dia
"Não quero ser um deus ou um herói, apenas tornar-me uma árvore, crescer um longo tempo, e não ferir ninguém."
(Czeslaw Milosz, via @Mizebeb)
(Czeslaw Milosz, via @Mizebeb)
:: domingo, 13 de maio de 2012
:: sábado, 12 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"Ó gentis-homens, a vida é curta.
Se vivemos, vivamos para
marchar sobre a cabeça dos reis."
(Shakespeare, em "Henrique IV")
Se vivemos, vivamos para
marchar sobre a cabeça dos reis."
(Shakespeare, em "Henrique IV")
Post filosófico do dia
"Big and black the clouds may be time will pass away,
If you put your trust in me I'll make bright your day.
Look into these eyes now tell me what you see,
Don't you realize now what you see is me.
Tell me what you see."
(Trecho de "Tell Me What You See", The Beatles)
If you put your trust in me I'll make bright your day.
Look into these eyes now tell me what you see,
Don't you realize now what you see is me.
Tell me what you see."
(Trecho de "Tell Me What You See", The Beatles)
:: quinta-feira, 10 de maio de 2012
Post filosófico do dia (4)
"Não nos é indiferente seguir este ou aquele caminho. Há o caminho certo, mas a negligência e a estupidez muito nos sujeitam a seguir o caminho errado."
(Henry Thoreau)
(Henry Thoreau)
Post filosófico do dia (3)
"A necessidade é um mal, mas não há nenhuma necessidade de viver com a necessidade."
(Epicuro)
(Epicuro)
Post filosófico do dia (2)
"Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei."
(Trecho de "Ainda é Cedo", Legião Urbana)
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei."
(Trecho de "Ainda é Cedo", Legião Urbana)
Post filosófico do dia
"I'm too sensitive. I need to be slightly numb in order to regain the enthusiasm I once had as a child."
(Kurt Cobain)
(Kurt Cobain)
:: quarta-feira, 9 de maio de 2012
Post filosófico do dia
"(...) Kant disse que nosso dever para com as outras pessoas é promover sua felicidade. Nosso dever para conosco é nos tornarmos perfeitos ao fazer isso. Não há, portanto, nenhuma inconsistência entre um kantismo bem formulado e um utilitarismo bem formulado, embora muitos dos assim chamados kantianos, e talvez mesmo até o próprio Kant, possam ter pensado diferente.
A aparente divergência entre o kantismo e o utilitarismo surge porque os princípios morais gerais, excessivamente simples, que estão incrustados em nossa moralidade popular e os quais Kant julgava que tinha de justificar com sua teoria - princípios que ele julgava não ter exceções - são, de fato, gerais demais para uma aplicação universal. (...)"
(Richard Hare, em "Ética: problemas e propostas")
A aparente divergência entre o kantismo e o utilitarismo surge porque os princípios morais gerais, excessivamente simples, que estão incrustados em nossa moralidade popular e os quais Kant julgava que tinha de justificar com sua teoria - princípios que ele julgava não ter exceções - são, de fato, gerais demais para uma aplicação universal. (...)"
(Richard Hare, em "Ética: problemas e propostas")
:: terça-feira, 8 de maio de 2012
Post filosófico do dia (3) - "Cuidado com as aparências"
"O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é 'o que aparece é bom, o que é bom aparece'. A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência."
(Guy Debord, em "A Sociedade do Espetáculo")
(Guy Debord, em "A Sociedade do Espetáculo")
Post filosófico do dia (2) - "Semelhanças"
"Pois bem, acusam-me, a mim, de imitar Poe! Sabe porque razão traduzi Poe com tanta paciência? Porque ele se parecia comigo. A primeira vez que abri um livro dele, vi com espanto e enlevo, não só motivos sonhados por mim, como frases, pensadas por mim, e escritas por ele, vinte anos antes..."
(Charles Baudelaire)
(Charles Baudelaire)
Post filosófico do dia
"A dinâmica da história não é uma força externa misteriosa qualquer mas a intervenção de uma enorme multiplicidade de seres humanos no atual processo histórico, na linha da 'manutenção e/ou mudança' – num período relativamente estático bastante mais de 'manutenção' do que de 'mudança', ou vice-versa na altura de uma grande elevação na intensidade de confrontações hegemônicas antagonistas – de uma dada concepção do mundo, e por conseguinte atrasando ou apressando a chegada de uma mudança social significativa."
(István Mészáros, trecho de "Educação para Além do Capital")
(István Mészáros, trecho de "Educação para Além do Capital")
:: segunda-feira, 7 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"A questão é que, aproximando-me dos meus 80 anos, não mais acredito que possa existir algo como uma sociedade perfeita. A vida é como um lençol muito curto: quando se cobre o nariz, os pés ficam frios, e, quando se cobrem os pés, o nariz fica gelado. Mas insisto em que a sociedade que obsessivamente se vê como não sendo suficientemente boa é a única definição que posso dar de uma boa sociedade."
(Zygmunt Bauman)
(Zygmunt Bauman)
Post filosófico do dia
"Embora não tenhamos os metros para medir e as regras sob as quais podemos subsumir o particular, um ser cuja essência é o começo pode trazer dentro de si um teor suficiente de origem para compreender sem categorias preconcebidas e julgar sem este conjunto de regras comuns que é a moralidade.
Se a essência de toda a ação, e em particular da ação política, é fazer um novo começo, então a compreensão torna-se o outro lado da ação, a saber, aquela forma de cognição, diferente das muitas outras, que permite aos homens de ação (e não aos que engajam na contemplação de um curso progressivo ou amaldiçoado da história), no final das contas, aprender a lidar com o que irrevogavelmente passou e reconciliar-se com o que inevitavelmente existe."
(Hannah Arendt)
Se a essência de toda a ação, e em particular da ação política, é fazer um novo começo, então a compreensão torna-se o outro lado da ação, a saber, aquela forma de cognição, diferente das muitas outras, que permite aos homens de ação (e não aos que engajam na contemplação de um curso progressivo ou amaldiçoado da história), no final das contas, aprender a lidar com o que irrevogavelmente passou e reconciliar-se com o que inevitavelmente existe."
(Hannah Arendt)
:: sábado, 5 de maio de 2012
Post filosófico do dia
"No mundo moderno, o nacionalismo tem servido mais para produzir guerras pouco razoáveis do que para cimentar de forma saudável o senso de comunidade."
(Hélio Schwartsman)
(Hélio Schwartsman)
Por uma nova e justa sociedade
"[Cada pessoa devia] usar seu tempo ajudando um vizinho doente, sendo voluntária em um abrigo ou se concentrando em como usar todas as suas energias para ajudar a resolver os problemas do mundo.Comentário
Se elas gastassem nisso um décimo do tempo que usam preocupando-se com seu peso, eu acho que todos os problemas do mundo se resolveriam em questão de meses."
(Katie Couric, em depoimento no documentário "Miss Representation")
Muito bom o documentário "Miss Representation" (dica excelente, como sempre, da Lola). Mostra de forma clara como a sociedade contemporânea ainda é extremamente machista e como as mulheres continuam sendo vítimas de preconceitos e violências.
O filme mostra ainda quais são os mecanismos utilizados - principalmente pela mídia, mas também pelas escolas e pelas próprias famílias - para formar nossas crianças de modo que homens e mulheres mantenham esse padrão irreal de beleza, futilidade, egoísmo e consumo cujo resultado final é absurdamente injusto e cruel para tanta gente.
Um filme para assistir com calma e refletir sobre o assunto. Muito mesmo.
Cabe a cada um de nós a tarefa de melhorar o mundo e tentar mudar essa situação absurda propagada pela sociedade de consumo.
:: terça-feira, 1 de maio de 2012
Post filosófico do dia (2)
"Que será que às vezes tanto nos dificulta determinar o destino a dar aos nossos passos? Creio na existência de um magnetismo sutil na natureza o qual, se cedermos inconscientemente, nos levará ao caminho acertado."
(Henry Thoreau)
(Henry Thoreau)
Post surreal do dia - "Contos Malucos"
"Gott ist tot"
(Friedrich Nietzsche)
(Friedrich Nietzsche)
"Existência e Escolha"
Deus observava aquele homem simples na Terra. O homem falava com Deus o tempo todo. Como de costume, Deus não respondia, mas ouvia atentamente.
Um dia esse homem lhe disse: "Deus, você nunca se perguntou de onde veio? Quem te criou?"
E Deus pensou: "Eu sempre existi, homem tolo. Sempre, eternamente. Talvez meu único erro tenha sido criar criaturas tão incrédulas a respeito desse óbvio fato."
O homem então continuou, como que ouvindo ou adivinhando a resposta divina: "Sim, sei que você dirá que sempre existiu, e então apelará para seu poder total e irrestrito sobre todas as coisas. Mas a questão permanece: antes de você, não existia algo? O que é o tempo para você? No fundo, o que é a existência finita então, se tudo é eterno?"
Antes que Deus pensasse na resposta, o homem desafiou: "E se você é tão poderoso, será que poderia deixar de existir, simplesmente? Sumir e deixar o universo por aí, incompleto e sem rumo, até que um dia talvez ele também deixe de existir, pela ação do tempo e, talvez, pela ação irresponsável dos seres vivos que morrem e nascem num ciclo supostamente interminável, mas que pode um dia ter um verdadeiro fim?"
"Você, Deus, aceitaria deixar de existir?"
Deus então ponderou o desafio, pensando a respeito: "Sim, tenho o poder de deixar de existir. Mas realmente não sei o que é não existir, nunca tive isso, nunca fui finito. Esse estúpido homem tem certa razão em perguntar isso."
Nisso, Deus então usou seu poder e deixou de existir. Um caminho sem volta.
O universo continua por aí, nós continuamos por aí. Cada um de nós deixará de existir em breve e, talvez um dia, tudo deixará também de existir.
Deus ousou ser finito e não pesou as consequências daquele desafio. Esse, enfim, foi um erro divino que não poderá ser corrigido.
Post filosófico do dia
"Desde aquele momento o sol, a lua, as estrelas, podem fazer tranquilamente as suas revoluções; eu não sei se é dia ou noite, todo o universo desaparece aos meus olhos."
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
:: segunda-feira, 30 de abril de 2012
Post filosófico do dia (3)
"O perigo de uma meia verdade é você dizer exatamente a metade que é mentira."
(Millôr Fernandes)
(Millôr Fernandes)
Post filosófico do dia (2)
"De cada qual, segundo sua capacidade;
a cada qual, segundo suas necessidades."
(Karl Marx)
a cada qual, segundo suas necessidades."
(Karl Marx)
"Verdade, Informação e Justiça"
Se não conseguirmos convencer as pessoas sobre a importância dos valores socialistas (ou quaisquer outros valores) apenas pela via da argumentação racional, então devemos primeiramente questionar se esses valores são realmente válidos ou superiores a outros.
Nada justifica a omissão de quaisquer informações, por piores que sejam e por mais que pareçam "prejudicar" o seu lado em um debate. Um debate racional pressupõe acesso total a qualquer informação, sem juízo de valor a priori. Só assim o resultado final poderá ser justo. É condição necessária, porém não suficiente, é claro.
Tem gente que acredita que vale a pena tentar combater a lavagem cerebral do inimigo (que por vezes tem mais poder e acesso maior à mídia) optando pelo mesmo caminho, assumindo as mesmas táticas perversas, ou até optando pela censura/omissão de informações. Para mim, essa é a pior estratégia de longo prazo que se pode adotar, pois perdemos justamente o que nos separa do outro lado: o valor da moral, a força da justiça, a coragem de buscar uma verdade objetiva.
O impacto da verdade racional deveria ser insuperável, ainda que o debate seja, certamente, bastante complicado, e mesmo sabendo que existem atores com mais poder que outros.
Ainda assim, como no caso do pacifismo, acredito que uma sociedade justa só será um dia alcançada se optarmos pela verdade e pela não-violência. Sempre, em todos os casos, sem exceções.
Ou seja: se quisermos debater socialismo versus capitalismo, temos que colocar o dedo nas feridas - em ambos os lados. Sem esconder NADA. E venceremos o debate pela força dos argumentos, não por dissimulações e jogos.
A transparência total é fundamental.
Nas palavras de um grande filósofo prussiano:
"Todas as ações relativas ao direito de outros homens, cuja máxima não é suscetível de se tornar pública, são injustas."
(Immanuel Kant)
Post filosófico do dia
"Só posso ter compaixão dos que gemem sinceramente nessa dúvida, dos que a observam como a última das desgraças e dos que, sem nada poupar para sair dela, fazem de tal pesquisa as suas principais e mais sérias ocupações."
(Blaise Pascal, sobre a preocupação com a imortalidade da alma)
(Blaise Pascal, sobre a preocupação com a imortalidade da alma)
:: domingo, 29 de abril de 2012
Post surreal do dia
"Você sorria gostoso e cerrava os olhos a cada risada deliciosa. Eu só conseguia te olhar, te admirar, e torcia para que aquele momento nunca terminasse. Ver-te sorrir era uma incrível mistura de atrevimento e gentileza, apreciação e leveza, sentimento e liberdade."
Post filosófico do dia (2)
"Eu sei o tamanho da sinceridade do que sinto, as outras pessoas não."
(Nathália E.)
(Nathália E.)
Post filosófico do dia
"Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus"
(Trecho de "Até Quando Esperar", Plebe Rude)
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus"
(Trecho de "Até Quando Esperar", Plebe Rude)
Crise e os abutres capitalistas
"(...) A Grécia é o mais bem acabado exemplo do poder nocivo do capitalismo em sua versão financeira, em sua expansão quase cancerosa que não poupa nada, nem ninguém. A fome a o desespero que assolam os gregos não é nada para os abutres do capital."
(Raphael Tsavkko Garcia, em "Crise: O drama grego e os abutres")
(Raphael Tsavkko Garcia, em "Crise: O drama grego e os abutres")
:: sábado, 28 de abril de 2012
Post filosófico do dia
"Penso que a leveza e a obscuridade da poesia, seu respeito pelo enigma e pelo desconhecido, deveriam envolver todo nosso cotidiano pragmático. Um tanto de desordem, um tanto de loucura nos fariam muito bem! Não para matar a razão (a prosa), mas para alargá-la. Não para nos enlouquecer, mas para nos fazer crescer."
(José Castello)
(José Castello)
:: quinta-feira, 26 de abril de 2012
Post filosófico do dia (3)
"Pode ir armando o coreto
e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar,
muda a roupa de cama
Eu tô voltando"
(Trecho de "Tô Voltando", composição de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)
Comentário
Meia dúzia de Brahma é pouco. Três dúzias, pelo menos, por favor. Grato.
e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar,
muda a roupa de cama
Eu tô voltando"
(Trecho de "Tô Voltando", composição de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)
Comentário
Meia dúzia de Brahma é pouco. Três dúzias, pelo menos, por favor. Grato.
Post filosófico do dia (2)
"Não, eu jamais serei tranquilo, nunca tornarei a ser o que era; por toda parte encontro objetos que me transportam e desordenam mais e mais."
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
(Goethe, em "Os Sofrimentos do Jovem Werther")
Post filosófico do dia
"Assim como as grandes obras, os sentimentos profundos sempre possuem mais significado do que têm consciência de dizer."
(Albert Camus)
(Albert Camus)
Capitalismo Contemporâneo
"A ferocidade das minas de carvão é um nada diante da monstruosidade dos mercados financeiros."
(Brizola Neto)
(Brizola Neto)
:: quarta-feira, 25 de abril de 2012
Post filosófico do dia (3)
"(...) Mário de Sá Carneiro, certa vez, disse a Fernando Pessoa (que acabara de confessar a sua loucura ao melhor amigo) que ele era ainda mais louco, pois não conseguia conservar nem os vícios. Enquanto o poeta maior maldizia seu apreço pelo álcool, como lhe dilacerava a incessante vontade de fumar, Mário de Sá Carneiro se queixava de ser tão louco, mas tão louco, que não tinha nem a organização de um viciado. Para termos vícios, Carlos, é imprescindível planejamento. E isto calcularia a normalidade de um ser humano? (...)
Os adeuses, Carlos, podem ser tristes, como a menina que vislumbra seu amado desaparecer enevoado pelas ávidas novidades. Podem ser doces, como a insônia que precede o novo emprego. Podem ser frios, como o féretro que protege o ente querido. Entretanto, talvez seja novidade, todo e qualquer presságio que inaugura sua alma também é matéria onírica para mim.
Reside aqui, na emancipação da miopia, na expulsão da menor quimera, no alívio das lágrimas, quando o gordo sonho ocupa a nossa casa por inteiro.
Render-se ao isolamento, à incompreensão, ao delírio não fará sua existência mais pertinente que a minha. Somos igualmente afetados pela mediocridade, pelo esquecimento, pelo medo.
Contudo, ao tê-lo ao meu lado, Carlos, neutralizo meus fantasmas. Posso pacificar meus compassos, órfãos. No pequenino interstício que nos une, sinto-me plenamente contornada. Não me deixe só. Eu suplico: edifica-me com o seu desamparo, para que eu possa reverdecer, epifânica."
(Mariana Portela, no profundo conto "O Presságio dos Adeuses")
Os adeuses, Carlos, podem ser tristes, como a menina que vislumbra seu amado desaparecer enevoado pelas ávidas novidades. Podem ser doces, como a insônia que precede o novo emprego. Podem ser frios, como o féretro que protege o ente querido. Entretanto, talvez seja novidade, todo e qualquer presságio que inaugura sua alma também é matéria onírica para mim.
Reside aqui, na emancipação da miopia, na expulsão da menor quimera, no alívio das lágrimas, quando o gordo sonho ocupa a nossa casa por inteiro.
Render-se ao isolamento, à incompreensão, ao delírio não fará sua existência mais pertinente que a minha. Somos igualmente afetados pela mediocridade, pelo esquecimento, pelo medo.
Contudo, ao tê-lo ao meu lado, Carlos, neutralizo meus fantasmas. Posso pacificar meus compassos, órfãos. No pequenino interstício que nos une, sinto-me plenamente contornada. Não me deixe só. Eu suplico: edifica-me com o seu desamparo, para que eu possa reverdecer, epifânica."
(Mariana Portela, no profundo conto "O Presságio dos Adeuses")
Post filosófico do dia (2)
"Um texto dói de sair de mim. Tenho medo de me perder em sua nitidez..."
(Mariana Portela, @Mizebeb)
(Mariana Portela, @Mizebeb)
Post filosófico do dia
"Não tem sensação pior nesse mundo que a de quando você está expondo as palavras mais sinceras pra uma pessoa que é realmente importante pra você e ela não percebe o significado de tudo aquilo. Parece que o coração vai se partir em mil pedaços tamanha a frustração."
(Nathália E.)
(Nathália E.)
Imputabilidade, Moral e Ação Livre
"(...) Nas Lições de Metafísica, Kant considera que a primeira infância e a loucura, incluindo nesta última estados psicológicos como uma melancolia extrema ou depressão, representam condições empíricas que nos levam a considerar um agente como não livre.
Na Crítica da Razão Prática, Kant afirma que a auto-acusação que o agente faz quando comete uma falta tem como restrição o fato de ele estar 'no seu juízo, isto é, ... no uso da sua liberdade'.
Quer dizer, não cabe imputar ao indivíduo que não tem consciência do que está fazendo. Consequentemente, pode-se dizer que certas ações podem ser computadas na receptividade da sensibilidade, demarcando-se assim alguma fronteira entre o imputável e o não imputável, entre as ações livres e as não livres. Mas para isso, é preciso que nós não tenhamos razões para considerar estas ações, ações de um agente racional.
Para ser imputável, o sujeito tem de ser capaz de compreender as exigências morais e poder, assim, fazer autêntico uso de sua liberdade. (...)"
(Aguinaldo Pavão, trecho de "O caráter insondável das ações morais em Kant")
Na Crítica da Razão Prática, Kant afirma que a auto-acusação que o agente faz quando comete uma falta tem como restrição o fato de ele estar 'no seu juízo, isto é, ... no uso da sua liberdade'.
Quer dizer, não cabe imputar ao indivíduo que não tem consciência do que está fazendo. Consequentemente, pode-se dizer que certas ações podem ser computadas na receptividade da sensibilidade, demarcando-se assim alguma fronteira entre o imputável e o não imputável, entre as ações livres e as não livres. Mas para isso, é preciso que nós não tenhamos razões para considerar estas ações, ações de um agente racional.
Para ser imputável, o sujeito tem de ser capaz de compreender as exigências morais e poder, assim, fazer autêntico uso de sua liberdade. (...)"
(Aguinaldo Pavão, trecho de "O caráter insondável das ações morais em Kant")
:: terça-feira, 24 de abril de 2012
Post filosófico do dia (3)
"O fato mais aterrorizante sobre o universo não é que ele é hostil, mas sim que ele é indiferente; mas se nós conseguirmos nos conciliar com essa indiferença e aceitarmos os desafios da vida dentro dos limites da morte - não importando o quão mutável o homem tente torná-los -, nossa existência como espécie pode ter significado e satisfação genuínos. Não importa quão vasta seja a escuridão, nós precisamos produzir a nossa própria luz."
(Stanley Kubrick)
(Stanley Kubrick)
Post filosófico do dia (2)
"So many years since I've seen your face
Here in my heart, there's an empty space
Where you used to be
So long, it was so long ago
But I've still got the blues for you"
(Trecho de "Still Got The Blues", Gary Moore)
Here in my heart, there's an empty space
Where you used to be
So long, it was so long ago
But I've still got the blues for you"
(Trecho de "Still Got The Blues", Gary Moore)
Post surreal do dia
"O meu pessimismo é minha maior fonte de esperança: quanto mais acho que tudo vai dar errado, mais chances há de tudo dar certo."
Post filosófico do dia
"Irmandade"
(Octavio Paz)
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.
(Octavio Paz)
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.
:: segunda-feira, 23 de abril de 2012
Acomodação vs. Conservadorismo
"A população é menos conservadora do que se imagina, e seu conservadorismo só se conserva porque aqueles que supostamente seriam responsáveis por transformá-lo se acomodam aos limites do possível."
(Idelber Avelar, trecho de "Direitos humanos: Ousar vale a pena")
(Idelber Avelar, trecho de "Direitos humanos: Ousar vale a pena")
Post filosófico do dia
"Poema é ter saudade de alguém, que a gente quer e que não vem."
(Elis Regina)
(Elis Regina)
Post surreal do dia - "Diálogos Malucos"
— "Nossa, você está tão estranho esta semana..."
— "Só esta semana? Caramba, você ainda precisa me conhecer MUITO mais."
— "Ué, como assim?"
— "É que eu não estou estranho. Eu sou estranho."
— "Só esta semana? Caramba, você ainda precisa me conhecer MUITO mais."
— "Ué, como assim?"
— "É que eu não estou estranho. Eu sou estranho."
Respeito a todas as crenças
"(...) Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias. (...)
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam."
(Drauzio Varella, trechos de "Intolerância religiosa" - o grifo em negrito é meu)
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias. (...)
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam."
(Drauzio Varella, trechos de "Intolerância religiosa" - o grifo em negrito é meu)
Vingança, justiça restaurativa e perdão
"(...) Modelos matemáticos do surgimento da cooperação mostram que a punição vingativa é necessária para que as sociedades sejam estáveis. Se não castigamos os 'free-riders', aqueles que tentam se aproveitar dos esforços comunitários sem dar nada em troca, não há convivência possível. (...)Comentário
Para quebrar o ciclo das rixas e vendetas motivadas pela vingança, inventamos o Estado, mais especificamente, a ideia de que o poder público é a única parte legítima para 'fazer justiça' e exercer o monopólio da violência. É uma forma inteligente de manter a punição sem criar um desentendimento que poderia dar lugar a uma nova rodada de violência. Quando eu sou castigado pelo Estado impessoal e não por um rival odiado, fica muito mais fácil renunciar ao impulso de acertar as contas com o inimigo. (...)
A vingança é apenas parte da história. De par com ela vem o perdão. Pinker afirma que ele foi inicialmente menosprezado por psicólogos e biólogos, mas se revelou inesperadamente importante quando analisado à luz da teoria dos jogos.
O perdão, afinal, permite restabelecer a cooperação que tenha sido rompida por uma resposta equivocada ou mesmo por uma leitura errada das intenções da pessoa com quem interagimos. Não fosse por ele, todos os rompimentos seriam definitivos e poderiam dar ensejo a espirais intermináveis de hostilidades. É mais ou menos o que acontece no Oriente Médio.
Pelo menos em tese, poderíamos tentar mobilizar o mecanismo do perdão para pacificar as torcidas. Em contextos diferentes, isso já foi experimentado e leva o nome de justiça restaurativa. (...)"
(Hélio Schwartsman, trechos de "Torcidas homicidas")
Esse assunto vale para contextos tão amplos como de brigas entre países soberanos, grupos de interesses/gostos opostos (torcidas de futebol) e mesmo relacionamentos entre indivíduos (amizades e paixões).
O problema, sempre, é identificar os limites do perdão (em quais circunstâncias vale a pena dar nova chance a uma pessoa ou grupo) e compreender qual o papel da justiça como aprendizado e punição, de modo a não apenas tentar reparar um erro, mas evitar que o perpetrador repita o comportamento no futuro.
E é aí que está o grande dilema.
Não podemos prever o futuro e não temos segurança sobre qual a melhor decisão a tomar em cada situação, que possa garantir uma punição ou um perdão justos, ou seja, que gerem como resultado o verdadeiro arrependimento e a melhoria comportamental futura.
Creio que todos podemos errar e essa falibilidade do ser humano é algo a considerar. Por isso não desprezo o valor do perdão e a possibilidade do arrependimento sincero.
Por outro lado, também não podemos ser ingênuos para acreditar que todo perdão irá resultar numa melhoria da situação. Às vezes, a melhor forma de ensinar uma pessoa que algo foi errado é justamente punindo-a socialmente. Essa é uma grande dificuldade principalmente nos relacionamentos pessoais, quando precisamos "romper vínculos" com pessoas que nos machucaram.
Não é realmente algo fácil. E depende de cada indivíduo e de suas experiências - há pessoas que só aprendem algo quando tal situação acontece diretamente com elas, ou seja, elas não têm a capacidade de seguir a regra de ouro (não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você) a priori pois não conseguem se colocar no lugar das outras.
Precisamos compreender, portanto, que pessoas interesseiras e canalhas existem e provavelmente sempre existirão na humanidade (espero que em menor número ao longo do tempo...). Só que elas não precisam sempre levar vantagem, e aí que está o principal papel das boas pessoas e do Estado. Tudo vai depender da punição ou perdão que escolhermos.
É difícil identificar "maus elementos"? Às vezes sim, mas geralmente é mais fácil do que imaginamos. O problema são nossos sentimentos atrapalhando a capacidade racional de identificar com cuidado as verdadeiras intenções por trás de cada ação realizada.
É triste, mas já cansei de ver pessoas perdoando atos simplesmente injustificáveis ou mesmo entrando em relacionamentos com pessoas cujo mau caráter é claro e conhecido por todos. Nesses casos, o resultado mais provável (eu diria em 99,99% das vezes...) é que a pessoa mau caráter não vai mudar, infelizmente, e a razão é bem simples: ela continua conseguindo sempre o perdão (prévio ou posterior) sobre seus atos, mesmo sem mudar seu comportamento (ou apenas "prometendo mudar", que é uma estratégia de jogar para o futuro incerto algo que ela sabe que nunca irá realmente fazer).
Mas a esperança de quem perdoa - alimentada não pela razão, mas pelo sentimento puro - faz o ser humano escolher o caminho do perdão (irracional) mesmo quando tudo indicaria que não é a melhor opção.
Isso ocorre pois ficamos cegos de paixão ou de outros sentimentos, e assim não julgamos com a razão sensível e nem mesmo a razão pura: julgamos apenas com uma expectativa ou justificativa instintiva, que pode ou não gerar um bom resultado (e, lamento informar, será um mero acaso se o resultado der certo...).
Esse sentimento (isolado da razão), portanto, nos impede de enxergar em que casos vale a pena perdoar e em quais a melhor maneira de promover justiça é com uma punição social (afastamento, pelo menos).
Por outro lado, uma razão puramente "técnica" (sem sentimentos) também nos impediria de perceber que há erros causados pelas nossas emoções e que precisam ser levados em conta na decisão de perdoar ou punir. Como já bem disse Eduardo Galeano, a solução está no meio termo: "Temos que raciocinar e sentir. Eu acredito nessa fusão contraditória entre o que se sente e o que se pensa".
O que não podemos, contudo, é esquecer do que está por trás de nossa decisão de punir e de perdoar. Estamos fazendo justiça ou deixando de fazê-la, e isso gera consequências nos atos futuros de todos nós. É um escolha inteiramente nossa e temos uma responsabilidade por causa disso, não apenas conosco, não apenas com o outro, mas com toda a humanidade.
Portanto, pensemos bem antes de tomar uma decisão que irá magoar alguém. Pensemos bem antes de perdoar alguém que, de forma recorrente ou claramente intencional, magoa os outros e vive prometendo que "vai mudar", "com você vai ser diferente" e coisas desse gênero hipotético.
Atos sempre valem mais que palavras em questões éticas. Não esqueçamos disso.
Compreendamos, enfim, que não é preciso ser vingativo para fazer justiça. Às vezes, apenas precisamos isolar aquelas pessoas que nos fazem mal. Assim, talvez, essas más pessoas um dia realmente aprendam e percebam que fizeram algo muito errado - injusto e imoral - e que, por causa dessa escolha, perderam a chance de ter um relacionamento verdadeiro na vida.
Acredito que essa é a punição mais concreta e justa que alguém pode receber.
Essa punição gera um aprendizado duradouro. Não precisamos nos sentir mal e nem vingativos: devemos compreender que o outro talvez mereça sim nova chance, mas que, por mais doloroso que possa nos ser, essa nova chance não pode ser ao nosso lado (pois, caso deixemos que se aproximem novamente, há o risco de a pessoa repetir o comportamento, uma vez que a punição não teria sido efetiva - os efeitos teriam sido insuficientes, já que ela conseguiu de volta o que tinha perdido).
Ou seja, a pessoa que errou ainda pode se "regenerar" mas, para isso, terá que procurar novos relacionamentos. É um perdão parcial somado a uma punição justa (a nova chance não será comigo, e isso fortalece o sentimento de justiça e evitará a recorrência do erro). Isso me parece mais adequado para incentivar a evolução comportamental.
Mas alerto: não acho que há regra pronta, cabe a cada um levar esses pontos em consideração nas suas situações pessoais, e o sentimento é algo que não deve ser menosprezado. De todo modo, acredito que o melhor perdão às vezes precisa ser aquele que nos afasta de alguém de quem ainda gostamos.
Esse é o custo de tentarmos criar um mundo verdadeiramente melhor, fazendo a nossa parte e pensando não apenas em benefício próprio, mas numa melhoria moral de todos.
Deixo, por fim, um alerta: as pessoas que vemos "levando vantagem" por aí, gerando dor e sofrimento em tanta gente, fazem isso por diversas razões egoístas. Mas elas só repetem esse comportamento por uma simples razão: nós não estamos sabendo puni-las socialmente como deveríamos, e infelizmente perdoamos e justificamos (pelas razões erradas) coisas que não deveríamos perdoar totalmente.
Se não começarmos a enxergar as verdadeiras intenções por trás dos atos, se não dermos valor para as boas pessoas, se insistirmos no erro de valorizar e dar repetidas chances para aqueles que não merecem, o resultado será esse: as pessoas canalhas e egoístas nunca irão mudar e continuarão tranquilamente a machucar tanta gente.
:: domingo, 22 de abril de 2012
Post filosófico do dia (2) - "O Papel da Literatura"
"A literatura não se ressente de ser usada para discutir as questões práticas e contemporâneas; em verdade, grande parte do que é debatido em filosofia surgiu antes na literatura - os escritores captam o momento, o pensamento da época e colocam essa percepção em suas obras, quase como sibilas que prenunciam algo novo a surgir; os filósofos então lançam sobre essas ocorrências um olhar mais reflexivo, sem o apoio da ficção."
(Robertson Frizero)
(Robertson Frizero)
Post filosófico do dia
"É ato falho escrevendo texto, superego deletando tuítes e o Eu desesperado tentando fingir que controla alguma coisa."
(Carina B., @destempero)
(Carina B., @destempero)
Esperanças e segundas chances
"(...) A vida é curta, potencialmente bela, melhor gastá-la com coragem, andando à procura de respostas verdadeiras, do que ficar, repetir, tentar de novo o mesmo caminho batido. Talvez uma vez, vá lá. Talvez uma segunda chance de reatar pontas perdidas para cada amor que merecer esse nome. Mas, se me perguntam, eu diria: não mais do que isso. Não mais esperanças paralisantes. Não para mim."
(Ivan Martins, trecho de "Segunda chance")
(Ivan Martins, trecho de "Segunda chance")
:: sábado, 21 de abril de 2012
Post filosófico do dia (3)
"Os intelectuais têm diante de si um vasto conjunto de desafios. Parte da batalha política do novo século estará dedicada a resolver uma grande questão: prevalecerá a polarização ideólogos e experts, humanistas e técnicos, ou caminharemos para uma solução ao estilo de Gramsci, geradora de intelectuais que sabem pensar, fazer e organizar e podem, por isto, se dedicar a repor todo o campo das possibilidades e inventar o futuro?"
(Marco Aurélio Nogueira)
(Marco Aurélio Nogueira)
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